terça-feira, 31 de maio de 2016

A vitória sobre Israel em 2000 É um exemplo para luta de hoje





Comemorando a libertação do sul do país em 25 de maio de 2000, o “Dia da Vitória”, em que as tropas israelenses foram obrigadas a abandonar o sul do Líbano, o secretário-geral do Hezbollah, Sayed Hassan Nasrallah, pronunciou um importante discurso de que publicamos os principais pontos.
A ideia de que Israel é o inimigo principal e que é a luta «a única via para recuperar os [nossos] territórios e garantir a estabilidade e a segurança do país» perpassa por todo o discurso.

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No meu discurso de hoje vou abordar vários temas. Encontramo-nos aqui pouco tempo depois das eleições municipais. Evocarei também as eleições as legislativas e as presidenciais. Referir-me-ei brevemente à conjuntura regional.

Uma festa nacional para todos

Hoje queremos celebrar esta festa ao lado do nosso comandante, o secretário-geral, mártir do Hezbollah, Sayed Abbas Musawi [1], de sua esposa, a mártir Umm Yasser e de seu filho, o mártir Hussein, sem esquecer os outros mártires da localidade de Nibichite e das outras regiões do Vale de Bekaa.
Quisemos vir a esta terra fiel e honrada comemorar esta data.
O respeito pelos nossos mártires é essencial e nós insistimos em fazer todos os anos esta comemoração. Isso mostra que somos um povo vivo, uma nação ligada à nossa história e orgulhosa dela e da sua cultura, dos seus êxitos, das suas vitórias, dos seus mártires e dos seus sacrifícios, e que deseja transmitir esta cultura e este orgulho aos nossos filhos e a todas as gerações futuras.
A Rússia comemorou o 71º aniversário da vitória nacional contra o exército nazi, no passado dia 9 de maio. Quando os governos mundiais estão conscientes de que o seu país conseguiu uma grande vitória festejam-na a nível nacional, a fim de salientar a sua importância na consciência do seu povo.
Este êxito faz parte do nosso passado, mas marca também o rumo do nosso futuro. Esta vitória é um ensinamento que beneficiará as gerações futuras ensinando-as a enfrentar os desafios e os perigos e, sobretudo, para saber aproveitar as ocasiões que se apresentem para conseguir êxitos.
Todos os anos apelamos aos libaneses a que considerem esta vitória como um dia nacional, uma vitória de todos. Em 2000 oferecemos esta vitória a todos os libaneses, a todos os palestinos, a todos os árabes, a todos os muçulmanos e a todos os povos livres do mundo. Nunca monopolizámos esta vitória, e não deixaremos de apelar à sua comemoração como festa nacional.
Quero agradecer ao nosso primeiro-ministro, Tamma Salam, por ter declarado este dia 25 de maio como um dia de festa nacional, e por ter pedido aos centros educativos que consagrassem as primeiras horas de aulas a falar da libertação.
Dirigimo-nos a todos os libaneses que ignoram este dia e que se recusam a admitir a sua grandiosidade e importância. Pedimos-lhes que deixem de lado as rivalidades políticas e partidárias, o seu fanatismo confessional e sectário, e que revejam os seus pontos de vista em relação a esta ocasião, que desejamos seja convertida numa festa nacional de todo o nosso povo.

Uma celebração para o presente e para o futuro

Por que razão insistir nesta celebração? Pelo seu valor nacional, cultural e civilizacional, que superam o seu valor político.
Hoje, em 2016, temos uma nova geração que se interessa pelo que acontece na região. Muitos deles eram muito jovens quando, em 2000, se verificou este êxito, não tinham ainda consciência da sua importância. Outros não o viveram e não sabem o que aconteceu. Necessitamos de reviver aquela fase, para dela tirar lições para o futuro, porque os desafios que nos aguardam exigem que estejamos armados de sabedoria, de fé, de vontade, de perseverança, de resistência.
Faz falta que os meios de comunicação abordem esta etapa, as razões da humilhante derrota israelense, de como o exército considerado invencível num outro que batia em retirada, e quais foram as consequências desta vitória do Líbano, para a Palestina e para a região.
Faz falta recordar alguns pontos essenciais:
Em primeiro lugar, o inimigo israelense usurpador cometeu, desde a sua criação até aos nossos dias, os piores massacres, pondo em prática, incessantemente, os seus projetos de ocupação e infligindo, sem piedade, as piores humilhações aos nossos povos. E isto, sem esquecer os milhares e milhares que continuam presos, as inumeráveis guerras que desencadeou, as infraestruturas que bombardeou, as localidades e os povos que destruiu, os comboios intermináveis de pessoas deslocadas e de refugiados que causou. Os nomes dos mártires, que sempre estão vivos entre nós, são de todos conhecidos. Agora, no entanto, alguns há os que querem que esqueçamos os crimes terroristas de Israel.
É preciso recordar que Israel é o inimigo principal, visto que nunca deixará de ambicionar as nossas riquezas, os nossos recursos e as nossas terras.
O povo do Líbano, tal como sucede na Palestina, acredita sinceramente que a única via para recuperar os nossos territórios e garantir a estabilidade e a segurança do país, não é outra senão uma resistência total e completa. Uma resistência em todas as suas dimensões e em todos os campos: militar, mediático, económico e social. Nós conseguimos a vitória graças aos importantes sacrifícios apoiados por diferentes partidos e organizações, e pelo nosso povo, paciente e perseverante. Ninguém pode negar que fomos apoiados por todos eles para alcançar a vitória. Isto pressupõe o plasmar a promessa divina, recordada a todos os combatentes e a todos aqueles que se sacrificaram e que tiveram paciência.
Nós, no Líbano, através da nossa equação Resistência, Povo e Exército, pudemos proteger e defender o nosso país, manter a cabeça levantada. Estes são os valores grandiosos que faz falta inculcar na nova geração. Eles são-nos úteis, tanto para o presente como para o futuro.

Eleições municipais

Domingo passado tivemos eleições municipais no sul do Líbano. Queremos afirmar que elas se realizaram com total segurança e estabilidade, ao longo de toda a fronteira. É a primeira vez que esta região se encontra numa situação semelhante. Desde a implantação de Israel que, regularmente, era objeto de bombardeamentos e ataques israelenses. Esta segurança que o sul do país hoje desfruta não nos foi dada de forma gratuita. Ela não é o fruto da Liga Árabe, nem do Conselho de Segurança da ONU, nem da União Europeia. Ela é o fruto dos sacrifícios levados a cabo por inúmeros movimentos e fações. Ela é o fruto do sangue dos mártires, dos sofrimentos e da resistência dos detidos, dos feridos e dos mutilados. Ela é fruto da paciência dos que, em várias ocasiões, viram as suas casas destruídas e arrasadas, e dos que foram deslocados. É, pois, o fruto de uma árdua resistência, pejada de dor e sacrifícios.
Visitai as localidades desta região do Vale de Bekaa e vereis que os seus cemitérios estão a transbordar de túmulos de mártires. O mesmo se passa no Sul do Líbano, no subúrbio Sul de Beirute e noutros lugares. Ela é fruto da Graça Divina, aquela que Deus dá aos que observam os seus preceitos e confiam nele. Deus dá a sua vitória aos que lhe são fiéis. Sayed Abbas Musawi soube-o desde cedo, por isso, ele sempre prometeu a vitória, mesmo na época em que os factos no terreno não eram muito alentadores. Ele tinha fé na palavra Divina e nas promessas de Deus. É preciso consolidar a nossa confiança em Deus, em nós-próprios e nas nossas capacidades. Todos nós podemos defender o nosso país, manter a cabeça levantada e fazer frente a todos os perigos. Que ninguém desmoralize as pessoas dizendo que precisamos de garantias do exterior.
De quem vamos obter garantias? Dos Estados Unidos, do Ocidente, dos regimes árabes que sacrificaram os seus povos para defender um interesse próprio, dos seus tronos e do seu ódio execrável?
Sim, é verdade que nos nossos dias a equação que deu ao Líbano a sua força está sendo mais que nunca atacada. Esta sendo atacada mesmo no próprio Líbano há já vários anos.
Mesmo no Líbano há quem não queira um exército forte e eficaz. Entre o povo os incitamentos ao ódio interconfessional atingiu o nível mais elevado. No entanto, todos precisamos de preservar os nossos fatores de poder. Os que não acreditam no nosso projeto devem abster-se de conspirar contra o exército e o povo. No plano nacional libanês, é preciso não esquecer que ainda temos terras sob ocupação: as Quintas de Shebaa, os Montes de Kfar Shuba…
Temos pessoas cuja sorte desconhecemos, restos mortais de mártires que ainda estão nas mãos do inimigo. Também há responsabilidade libanesa em relação a quatro diplomatas iranianos, sequestrados pelos israelenses na década de 80 do século passado, e cuja sorte ainda desconhecemos. Infelizmente, enquanto a traição árabe perdura, somos testemunhas das crises desencadeadas e da cumplicidade internacional com o regime de Israel.

Algumas palavras ao povo palestino

Em 2000, nós oferecemos a nossa vitória. Naquele momento, ela era a nossa vitória mais feliz porque pudemos ver com os nossos olhos como o nosso pior inimigo, a fonte de todos os problemas da região, foi derrotado e humilhado.
Gostaria de me dirigir aos palestinos para os alertar contra os que tentam beneficiar da confusão que reina na região e trocar a direção da batalha e transformar Israel num aliado. Peço-lhes que não confiem nos que vos atraiçoaram ao longo de décadas – durante os últimos 70 anos – e não contem nunca com eles. A vossa salvação depende da vossa unidade, da vossa resistência, da vossa perseverança.
Todos os que têm estado convosco no Líbano, no Irão e na Síria estarão convosco seja em que situação for. Com toda a serenidade vos asseguro que, nesta batalha e na região, o eixo da resistência nunca será vencido, e que a causa palestina voltará a converter-se na causa central, na causa única da região.

Vale de Bekaa: a nova linha da frente

Gostaria de voltar à questão de por que decidimos este ano comemorar a vitória no Vale de Bekaa.
Durante a luta contra o inimigo sionista no Sul, esta região foi a retaguarda da resistência. Participou em todas as etapas da luta, nela investiu todas as suas capacidades. Esta é a razão pela qual esta região está intrinsecamente ligada à vitória da Resistência.
Esta terra fiel converteu-se, ao longo destes últimos anos, na frente de um novo campo de batalha, em que se combate contra outro perigo que ameaça o nosso país: o perigo takfiri [2], que a Síria sofre. Bekaa encontra-se na primeira linha e é ela quem defende todo o Líbano. Os mártires que sucumbiram estes anos todos – o último dos quais foi o Comandante mártir Mustafa Badredin – defenderam todo o Líbano e protegeram-no do perigo takfiri. As vitórias que eles conseguirem fazem-nos avançar até à vitória final. Queira Deus.

As eleições municipais: uma aliança entre o Hezbolá e o Amal

Quero reiterar o meu agradecimento a todas as regiões: a Bekaa, Helmete, Beirute, Monte Líbano, Sul do Líbano e Nabatieh pela grande participação nestas últimas eleições. Os resultados, tirando algumas, poucas exceções, mostraram uma vitória esmagadora da aliança entre o Hezbollah e o movimento Amal. Esta aliança foi objeto de críticas nos últimos dias, em alguns meios de comunicação. No entanto, uma leitura objetiva dos resultados confirma a sua solidez.
Todos sabem muito bem que as eleições municipais são as mais difíceis devido à mistura de fatores familiares, de clan, partidários, confessionais, etc.. Que os nossos movimentos políticos tivessem um grande êxito nestas eleições é uma prova da solidez da sua aliança. As nossas listas obtiveram vitórias em todas as grandes localidades. Em dezenas de povoações, a vitória das listas Hezbollah-Amal ganharam antecipadamente, devido à não concorrência de outras listas.
Esta é outra prova de que o Hezbollah e o Amal desfrutam de um apoio popular incontestável.

Por uma nova lei eleitoral

Um dos resultados das eleições municipais foi terem resolvido dois problemas: a ligação à situação de segurança e a prorrogação do Parlamento. As eleições municipais são certamente as mais complicadas, mas fizeram-se nas melhores condições e no tempo devido.
Quanto à Lei eleitoral, nós reclamamos outra Lei. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, desenvolveu os seus esforços para o conseguir. Não apoiamos a atual Lei, em vigor desde a década de 60. Apoiamos uma nova Lei baseada na distribuição proporcional que garanta a maior representatividade possível.
No que concerne a eleição presidencial, há quem queira atribuir ao Hezbollah a responsabilidade pelo bloqueio deste assunto. Isto faz parte da guerra psicológica levada a cabo contra nós e das pressões para que renunciemos aos nossos compromissos morais e políticos, mas o Hezbollah jamais o fará. Todas as acusações serão inúteis. Nós desejamos que a eleição presidencial tenha lugar o mais breve possível e chamamos outros a mostrar a sua responsabilidade neste assunto.

As premissas de uma vitória na Síria e no Iraque

Uma última palavra para falar da atual conjuntura regional. Há que estar vigilantes e prudentes face aos acontecimentos que vão surgir.
Até ao mês de novembro, data das eleições presidenciais nos Estados Unidos, a região vai sofrer uma escalada de violência. Cada vez que há eleições presidenciais nos EUA o sangue corre por motivos eleitorais. A atual administração democrata norte-americana necessita de sucessos políticos e militares para os utilizar como trunfos na batalha eleitoral. Está claro que a administração norte-americana não procura êxitos que interessem aos nossos países mas à custa dos povos da região. Quer isto dizer se dirige para uma escalada de pressões e violência em vários planos.
As forças do eixo da resistência devem permanecer alerta e dispostas a enfrentar todos os desafios e abortar as manobras dos inimigos. Cada protagonista permanecerá nas suas posições à espera das eleições nos EUA. Na Síria não há convocatória para uma nova ronda de negociações. A trégua está ameaçada e os grupos armados atuam para a romper. É de esperar novos atentados brutais, com carros armadilhados como os que explodiram em Jableh e Tartus. No Iraque a batalha está lançada e vai prosseguir.
Em qualquer dos casos as premissas de uma vitória são claramente visíveis.

O princípio do fim do Estado Islâmico

O Estado Islâmico, que é o grupo mais sanguinário e mais feroz mas que partilha a ideologia e os métodos com outros grupos, está no princípio do fim. Oxalá.
No Iémen, apesar das negociações do Kuwait, os confrontos continuam na fronteira.
Na Palestina toda as pessoas analisam o facto de o arrogante Lieberman se ter tornado ministro da Defesa do gabinete de Netanyahu. É necessária uma análise serena e não quero adiantar acontecimentos.
Esta etapa vai determinar o destino do Líbano, da Síria, do Iraque, do Bahrein, da Palestina e de outros países para as próximas décadas e inclusive para os próximos séculos. A neutralidade ou a negligência seriam fatídicas. Vós sabeis qual é a verdadeira natureza da batalha em curso. Nesta região golpeada por um imenso furacão, temos conseguido preservar o nosso país e devemos fazê-lo ainda mais.
Neste Dia da Vitória renovamos o nosso compromisso e a nossa promessa de preservar a recordação dos nossos mártires e prosseguir com a resistência. Teremos vitórias atrás de vitórias sejam os sacrifícios o que forem. Continuaremos o caminho até à vitória final, uma vitória que erradicará para sempre as ameaças takfiri e sionista, que permitirá aos povos da região construir os seus estados, viver juntos em liberdade e desenvolver a sua cultura.
Esta é a promessa de Deus a todos os deserdados e a todos os combatentes. Uma parte desta vitória foi obtida em 25 de maio de 2000. Ela será ampliada num dia que não tardará a chegar. Queira Deus.

Notas do Tradutor: 

[1] Sayed Abbas Musawi morreu em 2000, na guerra contra o exército de Israel pela libertação do Sul do Líbano.
[2]. Takfiri é um reduzido grupo de sunitas wahhabitas, cuja importância tem crescido paralelamente aos petrodólares da Arábia Saudita. A missão do takfiri, diz Robert Baer, é recriar o Califado de acordo com uma leitura literal do Alcorão.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Brutal represão do governo de Santos contra indígenas e camponeses colombianos que lutam pelos seus direitos

Um manifestante foi morto e dois ficaram feridos por causa da repressão policial do Estado colombiano  para acabar com o protesto dos indígenas e camponeses que  acontece em Valle del Cauca (sudoeste).
 En Cauca, suroeste de Colombia, desde tempranas horas del día se movilizan campesinos e indígenas para exigir los acuerdos incumplidos por el Gobierno, 30 de mayo de 2016.
A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) confirma que a repressão do Esquadrão Móvel  Antidisturbio (ESMAD) até agora foi  morta uma pessoa  atropelada por um veículo blindado militar, dois feridos por tiros e quatro desaparecidos.
O secretário-geral, Juvenal Arrieta denuncia  que, se o governo do presidente Juan Manuel Santos havesse atendido às exigências deste sector, a manifestação de hoje seria de respaldo e não de protesto.
Mais de mil índios, convocados  em uma mobilização pacífica denominada  Minga National Agraria, Campesina, Étnica e Popular, lançaram nesta segunda feira  uma greve agrária para exigir do Governo o fim do  paramilitarismo e  o reconhecimento dos seus direitos.
A principal queixa da comunidade se  concentra nas leis,  das Zonas de Interesse de desenvolvimento Rural, Econômico e Social ( ZIDRES), pelas quais o  Governo pretende desenvolver o sistema agro-industrial nessas zonas mencionadas e deixar para trás o cultivo  artesanal dos  indígenas e camponeses locais .
Além disso, o governo de Santos autorizou a exploração de minas sem consultar as populações afetadas nessas regiões.
 
Os manifestantes afirmam que vão continuar o protesto até que o governo cumpra os compromissos acordados durante a greve nacional em 2013.
Os camponeses colombianos têm repetidamente denunciado o não cumprimento das promessas e acordos por parte do Governo de Santos.
msm / CTL / nal
http://www.hispantv.com/newsdetail/colombia/257245/represion-brutal-preotesta-indigenas-colombia

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Israel, Catar, Kuait e Jordânia integradas ainda mais a OTAN pelos méritos adquiridos



  Israel e os emires dentro da Otan
 Otan guerre
No próprio dia (4 de maio) em que se instalou na Otan o novo Comandante Supremo Aliado na Europa – o general estadunidense Curtis Scaparrotti, nomeado como os seus 17 antecessores pelo presidente dos Estados Unidos -, o Conselho Norte Atlântico anunciou que no quartel general da Otan em Bruxelas será instituída uma missão oficial israelense, chefiada pelo embaixador de Israel junto à União Europeia (UE).
Por Manlio Dinucci*
Assim, Israel se integra ainda mais na Otan, à qual já é estreitamente ligado através do “Programa de Cooperação Individual”. Ratificado pela Otan em 2 de dezembro de 2008, três semanas antes da operação israelense “Chumbo fundido” em Gaza, esse programa compreende entre outras colaborações os serviços de inteligência e a conexão das forças israelenses, inclusive as nucleares, ao sistema eletrônico da Otan.
Ao lado da Missão oficial israelense junto à Otan, se encontrarão as do reino da Jordânia e dos emirados do Catar e do Kuait, “parceiros muito ativos” que se integrarão ainda mais na Otan pelos méritos adquiridos.
A Jordânia hospeda bases secretas da CIA nas quais – documentam o New York Times e o Der Spiegel – são treinados militantes islâmicos da Al Qaeda e do Isis (sigla em inglês do chamado Estado Islâmico – N do T) para a guerra secreta na Síria e no Iraque.
O Catar participou na guerra da Otan contra a Líbia, infiltrando em 2011 cerca de 5 mil comandos em seu território (como declarou ao The Guardian o próprio chefe do estado maior catarino), depois na guerra contra a Síria: é o que admite em uma entrevista ao Financial Times o ex primeiro-ministro catarino, Hamad bin Jassim Al Thani, que fala de operações catarinas e sauditas de “interferência” na Síria, com a aprovação dos Estados Unidos.
O Kuait, através do “Acordo sobre o trânsito”, permite à Otan criar a sua primeira escala aeroportuária no Golfo, não só para o envio de forças materiais militares no Afeganistão, mas também para a “cooperação prática da Otan com o Kuait e outros parceiros, como a Arábia Saudita”. Parceiros apoiados pelos Estados Unidos na guerra que realiza massacres de civis no Iêmen, na qual participa com quinze caças bombardeiros, também o Kuait.
Ao Kuait a Itália fornece agora 28 caças Eurofighter Typhoon de nova geração, construídos pelo consórcio de que faz parte a Finmeccanica juntamente com indústrias do Reino Unido, da Alemanha e da Espanha. Um contrato de 8 bilhões de euros, o maior já assinado pela Finmeccanica, em cujo caixa entrará cerca da metade. Foi assinado em 5 de abril no Kuait pelo ministro da defesa, Khaled al-Sabah, e pelo administrador delegado da Finmeccanica, Mauro Moretti.
A madrinha do evento foi a ministra Roberta Pinotti, eficiente caixeira-viajante de armas (ver a venda a Israel de 30 caças M-346 de treinamento avançado). Os Eurofighter Typhoon, que o Kuait usará para perpetrar massacres no Iêmen e outros lugares, podem ser armados também com bombas nucleares: aquelas que estão na posse da Arábia Saudita (conforme manifesto de 23 de fevereiro). A Aeronáutica italiana provê o treinamento dos equipamentos, reforçando “o fundamental papel de estabilização regional desempenhado pelo Kuait”.
Um sucesso da ministra Pinotti que, uma semana depois de ter vendido os caças bombardeiros ao Kuait, recebeu na União Católica Stampa Italiana o Prêmio “Napoli Cidade da Paz de 2016”. Encontrava-se na cerimônia o cardeal Crescenzio Sepe que declarou que Pinotti “empenha-se a serviço da política como a forma mais elevada do amor, que sempre põe no centro a tutela e a dignidade da vida humana”, propondo para isso a “mudança do nome do Ministério da Defesa para Ministério da Paz”.
Que pensa sobre isso o Papa Francisco?
Manlio Dinucci
Fonte: il manifesto
Tradução de José Reinaldo Carvalho para Resistência
Manlio Dinucci é jornalista e geógrafo
Postado :http://www.globalresearch.ca/israel-e-os-emires-dentro-da-otan/5525469

Siria denuncia EE.UU. por introduzir armas e mercenarios em seu território



Os EUA diz trabalhar em conjunto com a Rússia para manter a cessar fogo na Síria. No entanto, juntamente com os seus aliados regionais não deixa de introduzir armas e mercenários, fato que encorajou e estimulou os grupos terroristas a violação de mais de 500 vezes a trégua estabelecida desde o último 27 de Fevereiro.
16/05/2016

NAKBA ESPANDIDO PARA O MUNDO ÁRABE: Boletim sobre as ações dos grupos terroristas na Síria



Período de 16 a 18 de maio de 2016.

1- Em 16/05/2016, três crianças e uma mulher foram vítimas fatais de um
bombardeio aéreo das forças de coalizão, que alegam combater o terrorismo,
lideradas pelos Estados Unidos da América, na cidade de Albukamal, localizada
ao leste de Deir El Zour.

2- O lançamento de morteiros, contra a cidade de Aleppo, provocou a morte de
uma criança e o ferimento de 16 cidadãos, dentre os quais mulheres e crianças.

3- A explosão de uma mina terrestre, plantada pelos grupos terroristas armados, no
vilarejo da Jarmaz, em Hasaka, provocou a morte de um cidadão sírio.

4- O lançamento de quatro morteiros, contra o Presídio Central de Damasco,
provocou a morte de uma mulher e uma criança.

5- Em 17/05/2016, uma mulher morreu e doze pessoas ficaram feridas, incluindo
mulheres e crianças, em consequência do lançamento de morteiros contra os
bairros de Hamdaniyeh e Sheikh Maksoud e o vilarejo de Tal Aabour, em

6- Uma criança ficou ferida em consequência da explosão de uma mina terrestre,
plantada pelos grupos terroristas armados, na localidade de Hader, em Aleppo.

7- A explosão de uma mina terrestre, plantada pelos grupos terroristas armados, em
Qamishli, provocou a morte de um cidadão sírio.

8- Em 18/05/2016, cinco cidadãos morreram, incluindo mulheres e crianças, em
consequência do lançamento de mísseis contra vários bairros de Aleppo.

9- Três morteiros foram lançados contra o bairro de Qosour, Em Deir El Zour,
provocando ferimentos em uma criança.

10- Uma menina ficou ferida em consequência do lançamento de um morteiro contra
o bairro de Keswa, na zona rural de Damasco.


Período de 05/05/2016 a 14/05/2016.

1 - Doze cidadãos morreram e outros quarenta ficaram gravemente feridos, no dia
05/05/2016, quando grupos terroristas armados perpetraram duas explosões que tiveram
como alvo a cidade de Mokhram Foqani, localizada na zona rural de Homs.

2 - No mesmo dia, os grupos terroristas armados alvejaram o bairro de Maidan, em
Aleppo, com vários mísseis que resultaram na morte de um cidadão, outro ficou ferido e
a ocorrência de danos materiais.

3 - Na sexta feira, 06/05/2016, mísseis lançados contra os bairros de Qosour e Thawra, em
Aleppo, provocaram a morte de dois cidadãos e danos materiais.

4 - O lançamento de um morteiro contra o bairro de Harabesh, em Deir El Zour, resultou
no ferimento de uma cidadã e em danos materiais.

5 - Três crianças ficaram feridas ao serem atingidas por estilhaços, durante a explosão de
uma mina terrestre deixada pelo ISIS no vilarejo da Hamra, localizado na área de

6 - A explosão de duas minas terrestres, em 07/05/2016, plantada pelos grupos terroristas
armados, na cidade de Qashili, em Hasaka, resultou na morte de duas crianças.

7 - O lançamento de nove mísseis contra os bairros de Thawra e Tahtouh, em Deir el
Zour, resultou no ferimento de seis cidadãos, dentre os quais duas mulheres.

8 - O lançamento de um morteiro contra o bairro de Nova Aleppo, em Aleppo, resultou no
ferimento de uma criança.

9 - Uma criança ficou ferida em consequência do lançamento de cinco mísseis contra o
vilarejo de Mossil, em Hama.

10 - Em 08/05/2016, cinco cidadãos morreram e outros vinte ficaram feridos, dentre os
quais mulheres e crianças, durante o lançamento de dezenas de mísseis contra bairros
residenciais de Aleppo.

11 - O lançamento de dez mísseis contra o bairro de Thawra, em Deir El Zour, resultou na
morte de três cidadãos e o ferimento de outros cinco, dentre os quais duas crianças.

12 - O lançamento de mísseis contra a cidade de Fouaa, em Idleb, provocou a morte de um
cidadão e o ferimento de outros dois.

13 - Em 09/05/2016, uma mulher morreu e uma criança ficou ferida em consequência de
um tiroteio aleatório, perpetrado por um atirador pertencente aos grupos terroristas
armados, na cidade de Fouaa, em Idleb.

14 - O lançamento de 16 morteiros contra os bairros de Harabesh e Hoeka, em Deir El
Zour, resultou no ferimento de oito cidadãos, entre eles mulheres e crianças.

15 - Um míssil lançado contra a cidade de Sayeda Zainab, na zona rural de Damasco,
resultou no ferimento de uma criança.

16 - Em 10/05/2016, cinco cidadãos morreram e mais de quarenta ficaram refidos, em
consequência do lançamento de um míssil contra a cidade de Fouaa, em Idleb.

17 - A explosão de uma mina terrestre, plantada pelos grupos terroristas armados, contra a
localidade de Mazaree Alhadadeen, em Aleppo, provou ferimentos em duas crianças.

18 - O lançamento de um morteiro contra a localidade de Sheikh Najjar, em Aleppo,
provocou ferimentos em um cidadão.

19 - Em 14/05/2016, a explosão de um carro-bomba, na cidade de Qamishli, resultou na
morte de cinco cidadãos e o ferimento de outros seis.

20 - Uma criança morreu e outras três ficaram feridas em consequência do lançamento de
um morteiro contra a cidade de Qamishli.

21 - O lançamento de cinco morteiros contra a localidade de Hamdaniyeh e a localidade de Saladino, em Aleppo, resultou na morte de um cidadão e feriu outros três.

22 - A explosão de uma mina terrestre, plantada pelos grupos terroristas armados, no
vilarejo de Fadghami, em Hasaka, provocou ferimentos em dois cidadãos.




Carta, datada em 14/05/2016, dirigida ao Presidente do Conselho de Segurança e ao Secretário Geral da ONU.



Conforme instruções do Governo da República Árabe da Síria, gostaria de transmitir as informações relacionadas ao sangrento massacre, perpetrado pelos grupos terroristas armados, contra a população civil do vilarejo de Zara, no distrito de Hama.

            Terroristas ligados à Frente Al Nusra, aos Livres da Síria e a outras milícias aliadas infiltraram-se, na madrugada do dia 12/05/2016, no vilarejo de Zara, localizado no distrito de Hama, onde perpetraram um sangrento massacre contra os moradores civis, que incluiu degolas e assassinatos, sem fazer qualquer distinção entre crianças, mulheres, idosos ou doentes. O ataque ocorreu enquanto os moradores ainda dormiam com suas famílias e a mutilação monstruosa dos corpos foi nauseante. Antes da invasão, os terroristas lançaram mísseis, morteiros e “bombas do inferno” contra o vilarejo, provocando a destruição de casas e bens públicos e particulares. Muitos civis morreram durante o ataque e muitos ficaram gravemente feridos. Muitos foram assassinados na ponte Roston e outros tiveram ferimentos, com diferentes graus de gravidade, além dos muitos civis sequestrados pelos terroristas, em sua maioria crianças e mulheres que, até o momento, têm o seu paradeiro desconhecido.
            Sem qualquer escrúpulo ou arrependimento, as organizações armadas, consideradas por países ocidentais e outros como ‘oposição moderada armada’, tais como a Frente Al Nusra, os Livres da Síria Islâmica, a Legião de Homs, a Brigada dos Filhos da Sunnah e os Soldados de Homs, assumiram em suas páginas, nas redes sociais, sua responsabilidade sobre este sangrento massacre e afirmando que o ataque contra o vilarejo de Zara foi realizado em conjunto com todos os grupos e de forma coordenada e pré-acordada.
            A perpetração, por parte dos grupos terroristas armados, deste aterrorizante massacre segue uma série de agressões e ataques terroristas organizados, que tem como alvo muitas das cidades sírias e que cumprem ordens diretas dos regimes extremistas e fundamentalistas de Riad, Ancara e Doha, com o objetivo de sabotar os esforços para acabar com derramamento de sangue sírio, promover o fracasso das conversações de Genebra, dos preparativos para acalmar a situação e do acordo de cessação das agressões na Síria. Este aterrorizante massacre ocorre no momento em que os representantes dos Estados Unidos da América, da França, da Grã Bretanha e da Ucrânia rejeitaram, no Conselho de Segurança, a inclusão das organizações Exército do Islã e Livres da Síria na lista de grupos, organizações e organismos terroristas do Conselho de Segurança, o que reflete o incentivo destes países às ações criminosas, perpetradas por estes grupos e sua insistência em fechar os olhos diante dos crimes dos grupos terroristas, deixando clara a falta de seriedade destes países em combater o terrorismo e em cessar as agressões na Síria.
            O massacre de Zara ocorre em consequência do silêncio do Conselho de Segurança em condenar as ações terroristas hediondas, perpetradas pelos grupos terroristas armados, nas mais diferentes áreas da República Árabe da Síria e como resultado da recusa dos membros do Conselho de Segurança em adotar medidas objetivas, imediatas e punitivas contra os países e organizações que apoiam e financiam o terrorismo, especialmente os regimes de Riad, Ancara e Doha, que não hesitaram em usar o terrorismo e os grupos terroristas e outros meios baixos para atingir os seus objetivos torpes.
            O Governo da República Árabe da Síria afirma que este massacre terrorista e terrível, além das outras agressões, não abalará o ímpeto da Síria em continuar a cumprir com suas obrigações de combater o terrorismo e de encontrar uma solução política para a crise na Síria, através do diálogo entre sírios, sob uma liderança síria, que resulte no fim do terrorismo e na reconstrução do que foi destruído pelos terroristas, seus parceiros, financiadores e apoiadores, para restaurar a segurança e a estabilidade do povo sírio.
            O Governo da República Árabe da Síria exige do Conselho de Segurança e do Secretário Geral das Nações Unidas a condenação imediata deste massacre terrorista, assim como exige do Conselho de Segurança que assuma as suas responsabilidade de preservar a paz e a segurança internacionais, através da adoção de medidas dissuasivas, imediatas e punitivas contra os países e organizações apoiadoras e financiadoras do terrorismo, especialmente os regimes da Arábia Saudita, da Turquia e do Qatar, que impeçam estes países de continuar apoiando o terrorismo e interferindo na segurança e na paz mundiais, ao comprometê-los com o cumprimento total dos dispositivos das resoluções do Conselho de Segurança relativas ao tema, especialmente as resoluções No. 2170(2014), 2178(2014), 2199(2015) e 2253(2015).

Fonte: Embaixada da República Árabe da Síria
Tradução: Jihan Arar