quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

TEATRO ABORDA O DRAMA DOS REFUGIADOS PARA CRIANÇAS

Novo espetáculo infantil da Cia Teatral Milongas, que aborda o tema de refugiados para as crianças.Estreia dia 10 de março de 2018 no Teatro Ipanema RJ

Ajude a construir este espetáculo infantil:

Confira nesse link um pouco mais sobre o projeto e sobre como você pode nos ajudar a construir-lo: 

A Cia Teatral Milongas apresenta seu novo espetáculo infantil: PELOS 4 CANTOS DO MUNDO. A peça se utiliza da linguagem corporal e recursos de animação para narrar as aventuras de uma menina refugiada em suas andanças por diversas partes do mundo, desde a Síria, seu país de origem, até o Brasil. Esse espetáculo é o primeiro ato de comemoração da Cia Teatral Milongas que completa 15 anos de existência em janeiro de 2018.
POR QUE O TEMA?
O Brasil é um país que historicamente recebe refugiados e imigrantes de diversas partes do mundo e cada vez mais, essa realidade está na vida de nossas crianças. Ajudar as crianças a compreenderem que cada refugiado carrega uma história difícil, em um momento que o ódio e a guerra obrigam cada vez mais pessoas a deixarem suas terras, é essencial. PELOS QUATRO CANTOS DO MUNDO é um espetáculo que ajuda os pequenos a entender que abrigar e acolher essas pessoas, adultos e crianças, é nosso dever humanitário.
QUAL O OBJETIVO DO FINANCIAMENTO COLETIVO
O espetáculo está em processo de criação e tem na equipe 18 trabalhadores da cultura que contam somente com este financiamento coletivo para garantir que todos possam realizar o seu trabalho de forma ideal, todos com o mesmo objetivo final: Apresentar para as crianças uma peça que instigue a imaginação e incentive a reflexão dos pequenos espectadores para as diferenças culturais do mundo e a importância de nossas ações para a sociedade.
A participação de todos através dessa plataforma de financiamento coletivo é fundamental para a realização deste espetáculo que marca um momento tão importante para a Cia, 15 anos de existência. Realizar esse espetáculo neste momento tão difícil que a cultura está passando é acima de tudo um ato de luta, pois acreditamos que somente a arte seja a saída.

 

SINOPSE
Aisha é uma menina refugiada da Síria que se perdeu de seu pai e embarca em uma aventura “Pelos 4 cantos do mundo” para reencontrá-lo. Nessa jornada Aisha viaja do mar ao céu e conhece diversos países onde faz amizades inusitadas que a ajudam nessa emocionante busca. Para isso, o cenário se transforma de forma simples e surpreendente, os atores interpretam vários personagens, dançam e manipulam a boneca Aisha, criando um espetáculo lúdico, divertido e emocionante.

CIA TEATRAL MILONGAS
A Cia Teatral Milongas, que há 15 anos atua e desenvolve uma pesquisa teatral contínua na cidade do Rio de Janeiro. Formou-se na UNIRIO, teve sede própria, geriu a Residência Artística do Teatro Municipal Ziembinski e trabalhou durante três anos dentro do Morro dos Macacos, onde ministrava oficinas para as crianças da comunidade. Desde 2011 participa do projeto Plateias Hospitalares dos Doutores da Alegria, onde apresenta alguns de seus espetáculos dentro de hospitais públicos. Com 12 espetáculos em seu repertório, já participou de mais de 30 festivais nacionais e internacionais - Venezuela, Colômbia e Chile, nos quais ganhou diversos prêmios e indicações. Na cidade do Rio de Janeiro recebeu as indicações de Melhor Texto no prêmio Zilka Salaberry e está indicado na categoria Inovação do prêmio Shell 2017.

FICHA TÉCNICA
Atuação Breno Sanches, Hugo Souza e Roberto Rodrigues
Direção e Dramaturgia Breno Sanches
Colaboração Dramatúrgica Hugo Souza e Roberto Rodrigues
Direção Musical Marcello H
Direção de Manipulação e Confecção - Marionete Marcio Newlands
Direção de Humor Ana Carolina Sauwen
Coreografia Paulo Cristo
Preparação Vocal Jane Celeste e Roberta Bahia
Cenário e Adereços Fernando Mello da Costa
Figurino Patrícia Muniz
Iluminação Ana Luzia de Simoni
Assessoria de Imprensa Lyvia Rodrigues (Aquela que divulga)
Designer Gráfico Ivi Spezani
Edição de Vídeo (Benfeitoria / teaser) Carolina Godinho
Produção; Pagu Produções
Realização :Cia Teatral Milongas

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Por que a Arábia Saudita mantem a agressão contra o povo do Iêmen?

O Iêmen, o país mais pobre do mundo árabe, segue sendo  alvo da agressão saudita,  a situação do seu povo é dramática  e piora dia a dia diante do silêncio da comunidade internacional e das organizações competentes.
Neste artigo, pretendemos expor os efeitos da invasão de Riad a este país e suas conseqüências, bem como as táticas adotadas pela monarquia saudita para acabar com a guerra após quase 3 anos.
Invasão saudita
O povo iemenita, desde 19 de março de 2015, está submetido em uma guerra indesejada cujo resultado é uma maior instabilidade, o massacre de dezenas de milhares de civis e milhões de pessoas à beira da fome e das doenças. Segundo os relatórios da ONU, nos últimos dois anos, mais de dez mil iemenitas perderam a vida como resultado direto dos ataques aéreos sauditas. Os números também falam de mais de 2 milhões de pessoas deslocadas.
Várias são as razões que movem a monarquia saudita  por trás desta invasão:  restabelecer no poder o ex presidente fugitivo do Iêmen, Mansur Hadi; para se opor à concessão de qualquer cargo ao ex-presidente, Ali Abdolá Saleh, no futuro político do país; para enfraquecer o movimento popular Ansarolá e lograr que estes deponham as armas.
Estes foram os objetivos declarados oficialmente por Riad, mas, por trás dessa cena, há outra realidade. De fato, as causas reais podem ser localizadas em três contextos: local, regional e internacional. Ou seja, a guerra foi realizado para desviar a atenção da opinião pública saudita sobre os problemas internos enfrentados pelo país; impedir a propagação do despertar do povo iemenita no seu território; por conta da preocupação em Riad pela relação entre moradores xiitas no Iêmen e os residente no país;  impedir o fortalecimento dos membros desse ramo do Islã no Iêmen; lutar contra a influência da República islâmica do Irã nas suas fronteiras; intensificar a  Iranofobia, assim como   lutar contra o eixo da resistência da região e apresentar-se ao mundo como um poder regional.
No entanto, após este longo período de invasão saudita, não só Riad não alcançou seus objetivos, mas o movimento de resistência Ansarolá conseguiu ganhar maior poder dentro do país, de modo que o futuro iemenita não pode ser imaginado sem o seu presença. Por isso surge a questão : por que Riad, apesar do fracasso no Iêmen e da perda de bilhões de dólares, mantém uma campanha belicosa?
Por que a Arábia Saudita não acaba com a criminosa campanha militar no Iêmen?
A resposta reside no fato de que o conjunto de acontecimentos no Iraque, Síria e Líbano preocuparam a monarquia saudita. Em todos esses países, as forças e os personagens apoiados por Riad acabaram marginalizados na cena sociopolítica do país.
Neste contexto, deve-se notar que no Iraque, os xiitas governam o país e, sob nenhuma condição, querem acompanhar as políticas da Arábia Saudita e , inclusive, consideraram a monarquia saudita como criadora dos terroristas da Daesh. O mesmo acontece na Síria,  os grupos sob o controle da Arábia Saudita, ou seja, Daesh e a Frente Nusra, falharam em sua luta contra o exército sírio e se retiraram de seus territórios. Riad também falhou em seu plano de desestabilizar o Líbano posto que o primeiro-ministro Saad Hariri permaneceu no cargo e não aceitou a ordem de renunciar para exercer pressão sobre o Movimento de Resistência Islâmica do Líbano (Hezbollah).

Este conjunto de fatos forçou as autoridades sauditas a reconhecer a debilidade  na região do Oriente Médio, acresce que a sua situação no Iêmen, também, está ficando fora de controle. Isso é algo que o Riad não quer permitir e, portanto, recorre a diferentes métodos.
A monarquia saudita quando viu que o seu constante bombardeio não teve qualquer efeito positivo no Iêmen e não fez com que este país e Ansarolá se rendessem, recorreu à imposição de um bloqueio multilateral aéreo, terrestre e marítimo . Esta medida, além de deixar a maioria dos iemenitas à beira da fome, motivou diferentes tipos de doenças devido à falta de medicamentos e ajuda humanitária.
Esta estratégia nefasta se enfrentou com a  oposição e as críticas da comunidade internacional, inclusive dos aliados mais próximos de Riad. Por isso, Al Saud recorreu a outra medida, isto é, executar um golpe dentro do Iêmen.
Os sauditas, para enfraquecer o movimento Ansarolá, tentaram se aproximar de Ali Abdulá Saleh. Relatórios não confirmados indicam que Riad prometeu a Saleh que devolveria-o ao poder, caso ele eliminasse Ansarolá da cena sócio-política do país. Portanto, Saleh após 3 anos de cooperação com Ansarolá decidiu dialogar unilateralmente com a Arábia Saudita. Esse fato causou grandes enfrentamentos entre as forças leais a Saleh e o exército popular iemenita. Os confrontos terminaram com a morte de Saleh e a cena sociopolítica iemenita entrou em uma nova fase.
Neste contexto, dois resultados importantes do assassinato de Saleh devem ser apontados. A primeira é que a Arábia Saudita perdeu sua única carta na situação atual no Iêmen. E o segundo é o  fortalecimento da posição de Ansarolá após a revelação da trama saudita. No entanto, nem tudo termina aí, mas a situação fica mais complicada por diferentes causas . 
Anteriormente, as forças de Saleh e Ansarolá  formaram uma frente comum para combater os seguidores de Mansur Hadi, no entanto, hoje, com a morte de Saleh, os combatentes de Ansarolá, além de combater os seguidores de Hadi, têm que enfrentar  os de Saleh. Sem dúvida, esta situação gerará uma maior catástrofe no Iêmen, afastando o país de uma solução política. Além disso, não se pode duvidar que a Arábia Saudita continuará a apoiar as forças de Saleh para aprofundar a crise entre elas e as do movimento popular Ansarolá , afim de enfraquecer esse movimento. Nestas circunstâncias e para evitar novas perdas humanas e a eventual eliminação de Ansarolá no Iêmen, este movimento deve abrir caminho para iniciar diálogos com o mundo e atrair apoio internacional para buscar uma solução para a guerra.

A este respeito, deve-se mencionar que se o Movimento Popular  Ansarolá consegue controlar a situação e coordenar com outros grupos iemenitas, a comunidade internacional poderá se opor aos sauditas e Riad não terá outra escolha senão aceitar o movimento popular no futuro político do país . Essa é o grande temor de Riad.


www.hispantv.com/noticias/arabia-saudi/366733/agresion-ataques-yemen-consecuencias

O número de crianças palestinas presas nos cárceres sionista dobrou nos últimos três anos

 
Ontem de manhã,(17/01/2018) no bairro de Silwan em Jerusalém, quatro crianças foram tiradas, à força, de suas casas  antes do amanhecer. Apenas um deles tinha mais de 15 anos. A imprensa internacional ou a "atenção de organizações civis" não cobrem ou denunciam essas atrocidades. Tais ataques e detenções tornaram-se cada vez mais comuns desde outubro de 2015, com fluxos e refluxos no número de prisões de acordo com as reações da sociedade palestina. Somente no mês de dezembro/2017, após o anúncio de Trump, as forças de ocupação israelenses detiveram cerca de 450 crianças. É seguro dizer que a tendência de prisões de crianças é claramente ascendente.

A estatística  de crianças presas falam por si mesmas. Em dezembro de 2014, havia 156 crianças presas. No final de 2015, esse número cresceu mais de 300% para 470. Em dezembro de 2017, o número era de 350. Como tal, nos últimos três anos, vimos uma duplicação efetiva do número de crianças prisioneiras.

O fato é que o cruel aumento das prisões das crianças palestinas  não veio como parte de um aumento correspondente na população geral de prisioneiros. Em dezembro de 2014, havia 6.200 presos políticos nas prisões israelenses. No final de 2015, esse número chegou a 6800, o que representou um aumento de menos de 1% da população prisional total. Em dezembro de 2017, a população prisional total era menor do que em 2014, em 6.171.

O que deve ser visível a partir desta breve análise dos números é que realmente vimos uma diminuição da população prisional em geral, acompanhada de um grande aumento no número de crianças que estão sendo detidas. 

Portanto, embora o foco em Ahed Tamimi seja importante e seu compromisso com a causa palestina é algo que todos devemos admirar, é muito importante  jogar luz e expor a gravíssima situação de todas as crianças no Território Palestino Ocupado. O caso da jovem Tamimi e o tratamento que recebe das forças de ocupação não são exceções, mas , infelizmente, a norma, o roteiro macabro seguido pelo exército de israel.

A Associação dos Direitos Humanos e de Apoio aos Prisioneiros - Addameer luta para que   à força de ocupação cumpra com as obrigações que lhe são imputadas por força da Quarta Convenção de Genebra em relação à atenção especial que deve ser dada para atender às necessidades das crianças entre a população protegida, (neste caso encarceradas). Além disso, insiste que o poder da ocupação deve cumprir suas obrigações internacionais ao abrigo da Convenção sobre os Direitos da Criança.
Postado: http://www.addameer.org/news/palestinian-child-prisoner-population-doubles-over-last-three-years

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Manifestação de solidariedade à luta do povo Palestino contra a ocupação sionista!

A imagem pode conter: texto

Escola palestina financiada por fundos europeus será demolida por Israel

 Há 70 anos a ocupação israelense nos territórios palestinos não para de se expandir utilizando o terror e a covardia contra as famílias palestinas. Há alguns anos essa política terrorista está focada em destruir a infância e a juventude palestina. A demolição de escolas, os assédios, as prisões e os assassinatos fazem parte da vida de milhares de palestinos diariamente.  A situação de desumanidade, crueldade e covardia do sionismo do Estado de Israel chegou a um ponto de total degeneração moral e conta com o total apoio do imperialismo dos EUA e da União Europeia. (Nota do Blog)

__________________________________________________

Save the Children, Action Against Hunger e Noruega Refugee Council (NRC) denunciaram em uma declaração na terça-feira que a escola de Al Muntar, construída na Cisjordânia com fundos de doadores europeus, será demolida pelas autoridades israelenses de 1 de fevereiro.

 

A escola de educação primária, localizada na Zona C da Cisjordânia,  atende a comunidade beduína fora de Jerusalém. Neste momento, Al Muntar acolhe 33 alunos, mas havia planos para expandir sua capacidade para 70 alunos, de acordo com as organizações.
Esta escola é uma das 61 escolas na Cisjordânia que correm o risco de serem demolidas ou que, diretamente, optaram por suspender suas atividades.
"Se a escola de Al Muntar for demolida, muitas das crianças podem ser forçadas a abandonar sua educação, pois  outras escolas estão situadas a vários quilômetros de distância e apenas acessíveis a pé ou por burro, para além do assentamento israelense", disseram as ONGs. .
"O Supremo Tribunal de Justiça israelense decidiu que a escola era uma tentativa de" criar fatos no terreno ", apesar do serviço básico que traz para a comunidade", acrescentou Save the Children, Action Against Hunger e NRC.
"Os tribunais israelenses estão ameaçando demolir esta escola porque cria" fatos sobre o terreno ". Na verdade, esses fatos estão sendo criados pelos assentamentos ilegais, não pelas escolas palestinas, que são necessárias para garantir o direito fundamental das crianças palestinas. para a educação ", disse o diretor nacional do NRC na Palestina, Kate O'Rourke.
"Os ataques às escolas na Cisjordânia são um dos muitos elementos que compõem o ambiente restritivo que afastam os palestinos  de suas  terra , dessa forma abindo caminho para a expansão dos assentamentos israelenses", disse O'Rourke.
O diretor da ONG Contra a Fome nos territórios palestinos, Gonzalo Codina, destacou como as escolas palestinas estão sobrecarregadas e como as autoridades israelenses não emitem licenças de construção suficientes para comunidades como Al Muntar.
A diretora da Save the Children in the Palestinian Territories, Jennifer Moorehead, acrescentou que "o direito fundamental das crianças à educação está sob crescente ameaça".
Moorehead afirmou que "esses espaços seguros para as crianças aprenderem (como Al Muntar) devem ser protegidos e não destruídos". Ele também fez um apelo urgente à comunidade internacional "para evitar a demolição e apreensão da infra-estrutura escolar".
Na declaração, as organizações se concentraram em como "a demolição de escolas viola o Direito Internacional Humanitário e o direito básico das crianças à educação e prejudica diretamente a assistência prestada pela comunidade internacional à população palestina para garantir  as crianças  irem  à escola ".
Grandes dificuldades para ir à escola
As três ONGs aproveitaram a oportunidade para enfatizar que a demolição de escolas não é a única dificuldade que as crianças palestinas que querem ir às aulas  enfrentam.
As crianças têm de lidar com "ameaças de violência e assédio por colonos ou soldados israelenses, diariamente,  no caminho para a escola, têm que se submeter às atividades militares em suas escolas ou nos arredores, enfrentar  militares ou policiais que prendem e detém crianças em suas salas de aula, perder  tempo devido a proibições de passar em áreas escolhidas para exercício militar ou para área de tiro, atrasos ao cruzar pontos de controle, ameaças de destruição e demolição de escolas, bem como o bloqueio de ordens para impedir obras e bloqueios de permissão de trabalho. "
De acordo com as ONGs, 256 violações foram reportadas em 2016, afetando 29.230 menores de idade.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O projeto militar dos Estados Unidos pelo mundo

INTERPRETAÇÕES DIVERGENTES NO SEIO DO CAMPO ANTI-IMPERIALISTA - 1ª PARTE

Quando o seu país foi atacado pelos jiadistas, em 2011, o Presidente Bachar al-Assad reagiu a contra-corrente: em vez de reforçar os poderes dos serviços de segurança, ele diminuiu-os. Seis anos mais tarde, o seu país está em vias de sair vencedor da mais importante guerra desde a do Vietname. O mesmo tipo de ataque está em vias de se produzir na América Latina, onde suscita uma resposta muito mais dentro do habitual. Thierry Meyssan expõe aqui a diferença de análise e estratégia dos Presidentes Assad por um lado, Maduro e Morales pelo outro. Não se trata de colocar esses líderes em compita, mas de apelar a cada um deles para extrair lições políticas e tomar em boa conta a experiência das últimas guerras.

 Por Thierry Meyssan (agosto/2017)
Em Maio de 2017, Thierry Meyssan explicava na Russia Today em que é que as elites sul-americanas se enganam quanto ao imperialismo dos EUA. Ele insistia acerca da mudança de paradigma dos conflitos armados atuais e a necessidade de repensar, radicalmente, a maneira de defender a pátria.
A operação de desestabilização da Venezuela prossegue. Numa primeira fase, grupúsculos violentos, manifestando-se contra o governo, mataram transeuntes, ou seja cidadãos que se tinham juntado a eles. Num segundo tempo, os grandes distribuidores de gêneros alimentares provocaram o desabastecimento nos supermercados. Depois, alguns membros das forças da ordem atacaram dois ministérios, apelaram à rebelião e entraram na clandestinidade.
A imprensa internacional não cessa de atribuir ao «regime» os mortos das manifestações enquanto que numerosos vídeos atestam que eles foram deliberadamente assassinados pelos próprios manifestantes. Com base nestas falsas informações, ela qualifica o Presidente Nicolas Maduro de «ditador» como já o havia feito, seis anos atrás, vis-à-vis a Mouamar Kadhaffi e a Bachar al-Assad.
Os Estados Unidos utilizaram a Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o Presidente Maduro da mesma maneira como usaram anteriormente a Liga Árabe contra o Presidente al-Assad. Caracas, sem esperar ser excluída da Organização denunciou tal método e abandonou-a ela própria.
No entretanto o governo Maduro apresentou duas falhas :
- uma grande parte dos seus eleitores não se deslocou às urnas aquando das eleições legislativas de Dezembro de 2015, deixando a oposição arrecadar a maioria no Parlamento.
- deixou-se surpreender pela crise dos gêneros alimentícios, quando, no passado, este tipo de manobra já tinha sido montado no Chile contra Allende e na Venezuela contra Chávez. Precisou de várias semanas para montar novos circuitos de aprovisionamento.
Com toda a probabilidade, o conflito que começa na Venezuela não irá parar nas suas fronteiras. Ele abrasará todo o Noroeste do continente sul-americano e as Caraíbas.
Um passo suplementar foi franqueado com preparativos militares contra a Venezuela, a Bolívia e o Equador, a partir do México, da Colômbia e da Guiana Inglesa. Esta coordenação é operada pela equipe do antigo Gabinete Estratégico para a Democracia Global (Office of Global Democracy Strategy); uma unidade criada pelo Presidente Bill Clinton, depois prosseguida pelo Vice-presidente Dick Cheney e pela sua filha Liz. A existência deste foi confirmada por Mike Pompeo, o atual diretor da CIA. O que levou, portanto, à menção na imprensa pelo presidente Trump da existência de uma opção militar dos Estados Unidos.
Para salvar o seu país, a equipe do Presidente Maduro recusou seguir o exemplo do Presidente al-Assad. Segunda ela, as situações são completamente diferentes. Os Estados Unidos, principal potência capitalista, atacariam a Venezuela afim de lhe roubar o seu petróleo, de acordo com um esquema muitas vezes repetido no passado, em três continentes. Este ponto de vista acaba de ser apoiado por um discurso recente do Presidente boliviano, Evo Morales.
Lembre-mo-nos que em 2003 e 2011, o Presidente Saddam Hussein,  Muammar Kadhafi e muitos conselheiros do Presidente Assad mantinham a mesma análise. Segundo eles, os Estados Unidos implicaram-se sucessivamente no Afeganistão e no Iraque, depois na Tunísia, no Egito, na Líbia e na Síria unicamente para fazer cair os regimes que resistiam ao seu imperialismo e controlar os recursos de hidrocarbonetos do Médio-Oriente Ampliado. Inúmeros autores anti-imperialistas seguem esta análise, na actualidade, por exemplo tentando explicar a guerra contra a Síria pela interrupção do projecto do gasoduto catariano.
Ora, esta análise mostrou-se errada. Os Estados Unidos não buscavam nem derrubar os governos progressistas (Líbia e Síria), nem roubar o petróleo e gás da região, mas, sim destruir os Estados, para reenviar as populações à pré-história, para a época em que «o homem era o lobo do homem».
Os derrubes de Saddam Hussein e de Muammar Gaddafi não restabelecerem a paz. As guerras continuaram apesar da instalação de um governo de ocupação no Iraque, depois governos na região incluindo colaboradores do imperialismo opostos à independência nacional. Elas continuam ainda atestando que Washington e Londres não queriam derrubar regimes, nem defender democracias, mas antes esmagar os povos. É uma constatação fundamental que altera a nossa compreensão quanto ao imperialismo contemporâneo.
Esta estratégia, radicalmente nova, foi ensinada por Thomas PM Barnett desde o 11-de-Setembro de 2001. Ela foi publicamente revelada e exposta em Março de 2003 —quer dizer precisamente antes da guerra contra o Iraque— num artigo na Esquire, depois no livro homônimo do Pentágono The Pentagon’s New Map («O Novo Mapa do Pentágono»- ndT), mas ela parece tão cruel que ninguém imaginou que pudesse vir a ser posta em ação.
Trata-se para o imperialismo de dividir o mundo em dois : de um lado uma zona estável que beneficia do sistema, do outro um caos espantoso onde ninguém pense sequer em resistir, mas unicamente em sobreviver; uma zona na qual as multinacionais possam extrair as matérias primas, das quais precisam, sem terem que dar satisfações a ninguém.
JPEG - 37.9 kb
Segundo este mapa, extraído de um Powerpoint de Thomas P. M. Barnett durante uma conferência no Pentágono em 2003, todos os Estados da zona rosada devem ser destruídos. Este projeto nada tem a ver nem com a luta de classes, no plano nacional, nem com a exploração dos recursos naturais. Depois do Médio-Oriente Ampliado, os estrategistas dos EUA preparam-se para reduzir a ruínas o Noroeste da América Latina.
Desde o século XVII e a guerra civil britânica, o Ocidente desenvolveu-se entre o medo do caos. Thomas Hobbes ensinou-nos a suportar a “Razão de Estado”, em vez de arriscar reviver esse tormento. A noção de caos só nos voltou a ser trazida com Leo Strauss, após a Segunda Guerra Mundial. Este filósofo, que formou pessoalmente numerosas personalidades do Pentágono, entendia construir uma nova forma de Poder mergulhando uma parte do mundo no inferno.
A experiência do jihadismo no Médio-Oriente Ampliado mostrou-nos o que é o caos.
Tendo reagido como se esperava dele aos acontecimentos de Daraa (março-abril de 2011), enviando o exército para reprimir os jihadistas da mesquita al-Omari, o Presidente al-Assad foi o primeiro a compreender aquilo que se passava. Longe de aumentar os poderes das forças de segurança para reprimir a agressão externa, ele deu ao povo os meios para defender o país.
Primeiro, levantou o estado de emergência, dissolveu os tribunais de exceção, libertou as comunicações de Internet, e proibiu às forças armadas de fazer uso das suas armas quando isso pudesse colocar em risco inocentes.
Estas decisões, que pareciam ir contra a lógica dos fatos, implicavam pesadas consequências. Por exemplo, ao ser atacado, um comboio militar em Banias, os soldados abstiveram-se de usar as suas armas em legítima defesa. Arriscaram ser mutilados pelas bombas dos atacantes, e até morrer, mais do que atirar, pelo risco de ferir os habitantes que os viam ser massacrados sem intervir.
Como muitos, à época, eu pensei que se tratava de um Presidente fraco e de soldados demasiado leais, que a Síria ia ser esmagada. No entanto, seis anos mais tarde, Bashar al-Assad e os exércitos sírios ganharam a sua aposta. Se a princípio, os soldados lutaram sozinhos contra a agressão estrangeira, pouco a pouco, cada um dos cidadãos foi-se envolvendo, cada um em seu posto, afim de defender o país. Os que não puderam ou não quiseram resistir exilaram-se. Claro, os Sírios têm sofrido muito, mas a Síria é o único Estado no mundo, após a guerra doVietnã, a ter resistido até que o imperialismo se cansa e desiste.
Em segundo lugar, face à invasão de uma multidão de jihadistas originários de todas as comunidades muçulmanas, desde Marrocos até à China, o Presidente Assad decidiu abandonar uma parte do território para conseguir salvar o seu Povo.
O Exército Árabe Sírio recuou para a zona da “Síria útil”, quer dizer para as cidades, abandonando as zonas rurais e os desertos aos agressores. Enquanto Damasco velava, sem nenhuma falha, pelo aprovisionamento de alimentos a todas as regiões que controlava. Contrariamente a uma ideia feita no Ocidente, apenas houve fome nas áreas controladas pelos jihadistas e em algumas cidades sitiadas por eles; os «rebeldes estrangeiros» (perdoem o “oxímoro”), aprovisionados pelas associações «humanitárias» ocidentais, utilizaram a distribuição de pacotes de alimentos para controlar as populações que eles próprios submetiam à fome.
O povo sírio constatou por si próprio que apenas a República, e não, os Irmãos Muçulmanos e seus jihadistas, o alimentava e o protegia.
Em terceiro lugar, o Presidente Assad explicou em discurso pronunciado a 12 de Dezembro de 2012, a maneira como ele pensava refazer a unidade política do país.
Ele indicou, nomeadamente, a necessidade de redigir uma nova constituição e de submetê-la à adoção por uma maioria qualificada do Povo, depois proceder à eleição democrática da totalidade dos responsáveis institucionais, neles incluído o Presidente, é claro.
À época, os Ocidentais fizeram troça da pretensão do Presidente Assad em convocar eleições em pleno período de guerra. Hoje em dia, todos os diplomatas envolvidos na resolução do conflito, incluindo os das Nações Unidas, apoiam o plano Assad.
Enquanto os comandos jihadistas circulavam por todo o país, nomeadamente em Damasco, e assassinavam políticos em suas casas com suas famílias, o Presidente Assad encorajava os seus opositores internos a pronunciarem-se. Ele garantiu a segurança do liberal Hassan al-Nouri e do marxista Maher al-Hajjar afim de que assumissem, também, o risco de se apresentarem à eleição presidencial de Junho de 2014. Apesar do apelo ao boicote pelos Irmãos Muçulmanos e pelos governos Ocidentais, apesar do terror jihadista, apesar da presença no exílio, no exterior, de milhões de cidadãos, 73,42% dos eleitores responderam presente.
Identicamente, desde o início da guerra, ele criou um Ministério da Reconciliação Nacional, o que jamais se vira num país em guerra. Ele confiou-o ao presidente de um partido aliado, o PSNS, de Ali Haidar. Este negociou e concluiu mais de um milhar de acordos promovendo a anistia de cidadãos que havia pegado em armas contra a República e a sua integração no seio do Exército Árabe Sírio.
Durante esta guerra,  e apesar do que afirmam aqueles que o acusam injustamente de ter generalizado a tortura, o Presidente Assad jamais  recorreu ao uso da força contra o seu próprio povo. Assim, por exemplo, ele nunca estabeleceu o recrutamento  em massa, o serviço militar obrigatório. É sempre possível a um jovem escapar ao serviço militar. Procedimentos administrativos permitem a qualquer cidadão do sexo masculino escapar ao serviço militar se ele não quiser defender o seu país de armas na mão. Apenas os exilados, que não tiveram a oportunidade de proceder aos tramites podem estar em situação irregular em relação a essa lei.
Durante seis anos, o Presidente Assad não parou de, por um lado, apelar ao seu povo, de lhe conferir responsabilidades e, por outro, de tentar alimentá-lo e protegê-lo tanto quanto podia. Ele assumiu sempre o risco de dar antes de receber. É por isso que, hoje em dia, ele ganhou a confiança do seu Povo e pode contar com seu apoio ativo.
Os fatos provam isso. O imperialismo contemporâneo já não tem a prioridade de aproveitar os recursos naturais. Hoje, ele domina o mundo e o saqueia sem escrúpulos. Agora, ele pretende esmagar os povos e destruir as sociedades das regiões cujos recursos já explora hoje.
http://www.voltairenet.org/article197482.html