sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Grande Marcha pelo Retorno é uma manifestação popular por direitos e resistência dos palestinos





“Prestamos homenagem aos mártires que se levantaram no Dia da Terra (30/03), nas massivas concentrações para o retorno que reuniram centenas de milhares de nosso povo na Faixa de Gaza. A Marcha de Retorno é um referendo popular para defender nossos direitos, especialmente o direito de retorno, que nunca será negociado ”, afirmou o camarada Jamil Mizher, membro do Bureau Político da Frente Popular para a Libertação da Palestina. e líder da organização em Gaza. "Esta marcha frustrou todas as apostas da ocupação em minar a unidade do povo palestino".
Este foi o discurso de Mizher, quando  participava juntamente  com um grande número de líderes, quadros e membros da Frente na fronteira leste da Faixa. “Nosso povo e sua ação em toda a Faixa de Gaza abriram uma nova etapa com seu sangue e sacrifício, confirmando sua adesão a todos os direitos nacionais, resistência e intifada e enfrentamento com todas as formas de agressão sionista, cerco e projetos de liquidação como o 'negócio do século' ”
Observou que a Grande Marcha do Retorno não termina, mas é um programa contínuo de atividades que irá crescer até  o aniversário da Nakba em 15 de maio. “Hoje, nosso povo demonstrou que está vivo, pronto para o sacrifício,  unido e capaz de derrotar todas as conspirações contra os direitos e os princípios palestinos. Este é um evento importante e exige que todos priorizem o supremo interesse nacional acima de todas as considerações estreitas e partidárias e alcancem o nível de sacrifício e grandeza corporificados pelas massas palestinas ”.
Além disso, Mizher afirmou que o povo palestino estava unido para enfrentar  todos os instrumentos que negam seus direitos, incluindo o "Acordo do Século", a declaração de transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém e o direcionamento dos direitos dos refugiados. As Marchas do Retorno impõem uma nova equação à ocupação e à comunidade internacional e deixam claro que o povo palestino nunca abandonará seus direitos e enfrentará com determinação todas essas tentativas.
“O ataque criminoso dos soldados sionistas contra os palestinos hoje (30/03) na Grande Marcha do Retorno é uma prova do estado de caos que persistiu por muitos dias e de sua total incapacidade de romper a vontade de resistência e firmeza do povo palestino que se reuniu aos milhares. ”, continuou Mizher.
Mizher: The Great Return March is a popular referendum on Palestinian rights and resistance
“Esta cena nacional unificada reflete a firmeza do povo palestino e seu apego à sua terra, a terra de seus ancestrais por gerações. Esta é a verdadeira expressão da vontade do nosso povo ... o enfrentamento com a ocupação é o meio mais eficaz para restaurar a unidade nacional e reorganizar a casa palestina ”, observou Mizher.
Concluiu saudando as massas palestinas na pátria e no exílio, especialmente na Palestina Ocupada 48, que hoje (30/03) comemoraram o aniversário do Dia da Terra ao lado de seu povo na Faixa de Gaza, confirmando ao ocupante que todos os palestinos estão unidos e firmemente enraizados na terra, na sua histórica terra.
http://pflp.ps/english/2018/03/30/mizher-the-great-return-march-is-a-popular-referendum-on-palestinian-rights-and-resistance/

Médicos do hospital de Duma/Síria "Nem um paciente com sintomas de envenenamento por substâncias químicas"




Novos testemunhos desmentem o alegado ataque químico na cidade síria de Duma.

Enquanto muitos países ocidentais não hesitaram em culpar Damasco pelo suposto ataque químico perpetrado na cidade síria de Duma (Guta Oriental), mais e mais relatórios estão surgindo que negam que isso realmente aconteceu.
     "Nem um paciente com sintomas de envenenamento por substâncias químicas"

Desta vez, foi o Ministério da Defesa da Rússia que conseguiu encontrar dois participantes diretos do vídeo sobre as "consequências" do suposto ataque e conversar com eles, conforme revelado pelo porta-voz deste ministério, Major-General Igor Konashénkov. Estes são dois médicos que trabalham na sala de emergência do hospital da cidade.
"Um dos prédios da cidade foi bombardeado e no primeiro andar houve um incêndio " , recorda Jalil Azhizh. "Nos trouxeram todos os afetados naquele edifício, os habitantes dos andares superiores apresentavam sintomas de axfixia por fumaça do incendio", detalha o médico.
"Enquanto eles estavam sendo tratados, uma pessoa que eu não conhecia veio e disse que era um ataque com substâncias tóxicas", diz o médico. " Eles estavam nos filmando e alguém veio e começou a gritar que era um envenenamento químico ", diz outra testemunha dos fatos. "Essa pessoa, um estranho, disse que as pessoas eram vítimas de armas químicas", acrescenta o homem.
" As pessoas se assustaram , houve uma briga, parentes dos feridos começaram a derramar água em cima dos outros. Outras pessoas que não tinham formação médica começaram a pulverizar na boca das crianças  medicamentos contra a asma , " diz Azhizh, afirmando que eles não viram "nem um paciente com sintomas de envenenamento por substancias químicas" .
No final da entrevista, as testemunhas apontaram a si mesmas no vídeo publicado na mídia sobre as “conseqüências” do suposto ataque químico.
"Quero enfatizar que essas mensagens não são impessoais nas redes sociais ou declarações de ativistas anônimos", disse o major-general Konashenkov ao apresentar a entrevista em uma entrevista coletiva. "Eu gostaria de ressaltar novamente que são pessoas que participaram diretamente desses pseudovideos", reiterou o porta-voz.

https://actualidad.rt.com/actualidad/268341-medico-duma-paciente-sintomas-sustancias-quimicas

TERROR SIONISTA : Ataques de soldados israelenses deixam 363 feridos na Faixa de Gaza

Ataques de soldados israelíes dejan 363 heridos en Franja de Gaza:   Veja o vídeo do ataque

Pelo menos 363 palestinos foram feridos nesta sexta-feira  (13/04) pelas forças de guerra sionistas em confrontos na Faixa de Gaza durante os protestos da Grande Marcha de Retorno, que começou no Dia da Terra Palestina.

Milhares de palestinos voltaram a protestar novamente no enclave costeiro,  alguns manifestantes atiraram pedras em soldados israelenses, que responderam com tiros para matar, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
As manifestações de hoje foram convocadas com o slogan "a queima da bandeira de Israel e o içamento da bandeira palestina".
Do lado israelense, um porta-voz militar confirmou que, além de usar balas e gás lacrimogêneo, o regime colocou atiradores e tanques perto da Faixa de Gaza.
Os protestos são realizados pela terceira sexta-feira consecutiva. Nos dois últimos , pelo menos 34 palestinos foram assassinados por tiros disparados por franco atiradores  - que foram autorizados a abrir fogo contra manifestantes - do exército israelenses e outros 3 mil palestinos ficaram feridos.
Na quinta-feira, dois palestinos foram assassinados por soldados do regime, um com um tiro no peito perto de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, e outro em um ataque aéreo israelense.



Os manifestantes palestinos são baleados, apesar de não ameaçar Israel, nem , em particular, os franco-atiradores. O ministro de guerra do regime, Avigdor Lieberman, chegou a  parabenizar o atirador que abateu um palestino , em uma ação registrada em um vídeo que mostra o soldado e seus companheiros celebrando o acerto no alvo.
Oatual movimento de protesto, chamado de "Grande Marcha de Retorno", 
prevê seis semanas de manifestações perto da fronteira que reclamam o
direito de retorno de mais de 5 milhões de  
palestinos expulsos de suas terras pelos israelenses ou  que fugiram durante a guerra que se seguiu, após a ocupação dos
territórios e a criação do regime de Tel Aviv em 14 de maio de 1948.
alg / mla / bhr / hnb
https://www.hispantv.com/noticias/palestina/373997/protesta-franja-gaza-heridos-muertos-israel

The Saker: Opções dos anglo-sionistas (relatório intermediário)

ATUALIZADO 10/4/2018, The Saker, The Vineyard of the Saker


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Parece inevitável e iminente um ataque anglo-sionista contra a Síria. Sempre é possível alguma ação de contenção que venha de algum general supostamente menos insano, realista e patriota, se houve, no Pentágono, mas não contem com isso (consultei dois dos meus amigos mais bem informados sobre o assunto, e os dois me disseram que "sem chance"). É ingenuidade contar com gente que fez a vida obedecendo ordens para que, de repente, recuse-se a obedecer alguma ordem e, no processo, arruíne a própria carreira. Além do mais, a maioria do que se tem hoje no Pentágono não são tipo almirante Fallon, mas, mais, aquela gente tipo "franguinha lambe cu" [orig. an ass-kissing little chickenshit] à moda Petraeus. Talvez não preguem abertamente ataque à Rússia, mas farão o que os mandarem fazer. Exatamente o que disse recentemente o comandante do CENTCOM ("fazemos o que nos mandam fazer").

Contudo, que tipo de opções de ataque os neoconservadores norte-americanos e seus capangas israelenses escolherão, isso, sim, provavelmente está em discussão nesse momento. Aqui vão as opções básicas:

1) Repetição do ataque do ano passado contra a base da Força Aérea Síria em Shayrat. Seria certamente a melhor opção, e garantiria que os neoconservadores salvassem a cara, embora só simbolicamente; a opção tipo "mamãe veja como eu sou durão". Podem também atacar a mesma base T4 que os israelenses atacaram há alguns dias, só que com mais mísseis. E, só para fazer a coisa parecer muito "democrática", talvez peçam a franceses, britânicos e israelenses que participem do ataque.

2) É tarde demais, militarmente falando, para tentar reverter a situação em campo, mas atacar mais bases da Força Aérea Síria, nodos de comunicação, defesas aéreas, etc. é, sim, uma opção. Os terroristas "do bem" e os terroristas "do mal" avançariam; e os sírios e aliados lutariam para "tapar os buracos" que fossem criados. Não é ação capaz de mudar o resultado da guerra na Síria, mas prolongaria o caos e a carnificina associada ao caos.

3) Atacar os iranianos. É a grande favorita de israelenses e neoconservadores, mas é também opção muito mais arriscada, porque se o ataque for bem-sucedido, os iranianos terão número altíssimo de potenciais alvos norte-americanos contra os quais retaliar; e o mesmo vale para o Hezbollah. Mas esse ataque aplacaria os odiadores-de-Irã, pelo menos temporariamente, e daria a Trump a chance de mostrar que sujeito "durão" e "big" ele é.

4) Ataque em grande escala contra militares sírios e contra o governo (incluindo instalações da presidência do país). Aqui, falo de centenas de mísseis cruzadores na primeira onda. Os alvos incluiriam além de alvos puramente militares (depósitos de munição, concentrações de soldados, etc.), também "infraestrutura de apoio ao regime", i.e. civis e tudo que torna possível a vida dos civis: usinas de energia, de purificação de água, de comunicações, pontes, estradas, portos, escolas e hospitais ("objetivos do regime camuflados"), etc. Basicamente, é o que EUA/UE/OTAN fizeram contra a Sérvia, e o que os israelenses fizeram várias vezes contra o Líbano: assassinar o maior número possível de civis para fazê-los pagar por apoiarem "Assad, o Animal". É tradição histórica anglo e judaica, várias vezes verificada, por falar de assassinar civis.

5) Ataque deliberado contra posições russas e iranianas na Síria, para "castigar" russos e iranianos por apoiarem os ataques químicos de "Assad, o Animal".

Claro, também é possível uma combinação das opções acima. Em termos genérico, as opções 1, 2 e 3 podem (condicional: "talvez") ser administráveis. Só a opção 1 é (relativamente) segura. Opções 4 e 5 são absolutamente insanas e provavelmente resultarão em escalada extremamente perigosa.

Consideremos a coisa de outro ponto de vista.

Qual seria o objetivo de um ataque anglo-sionista?

Acho que todos concordamos que ninguém acredita seriamente que aconteceu algum ataque químico; e que todo mundo sabe que não passou de ataque encenado (ataque sob falsa bandeira) já previsto por Nikki Haley e pelos russos há semanas. Quanto a algum tipo de reversão completa da derrota que os EUA sofreram na Síria, ou de algum tipo de reconquista por EUA/OTAN, esqueçam. Não são opções realistas, militarmente falando.


Assim sendo, do que se trata realmente?


1) Política interna dos EUA: Trump quer acalmar os neoconservadores e parecer "durão".

2) Fazer sírios, iranianos e russos pagarem por terem derrotado os terroristas "do bem" e também os "do mal".

3) Acalmar os israelenses sempre sedentos de sangue e morte, e criar um bom pretexto para renegar o acordo nuclear com o Irã.

4) A necessidade de 'dar vida' a retórica (é uma força frequentemente ignorada, mas, de fato, quando um governo vive de cuspir frases paranoicas e absurdos carregados de ódio contra outro país, quase sempre essa necessidade doentia de 'dar vida' à retórica está presente e ativa. Repetir "Assad, o Animal" e nada fazer contra ele, incomoda e não parece de bom tom, pelos critérios de O Donald).

5) Alguma esperança de realmente conseguir matar Assad (é pouco provável: as defesas aéreas russas-sírias integradas sempre alertarão as forças sírias, no caso de qualquer aproximação).

6) Fazer novamente valer, pelo exemplo, a noção de que os EUA são o fortão e o mauzão do quarteirão, e que nem Irã nem Rússia podem modificar esse 'fato'. Assustar Rússia e Irã, para que se submetam (eu sei, é ideia estúpida, mas neoconservadores não são gente lá muito brilhante!).

Acho que não se deve super intelectualizar tudo isso. Francamente, não acho que o pessoal da Casa Branca seja muito esperto, e o nível de planejamento de que são capazes e não vão muito além de "se você só tem um martelo, tudo vira prego". Agora, a Casa Branca só tem um martelo: o desejo doentio de violentar, atacar, ferir, punir. Só ódio e arrogância infinita.

Quando a onde e como o martelo atacará – meu palpite não é melhor que o de vocês.

Tentar prever ações de psicopatas em surto de delírio é exercício de futilidade.

Além do mais, logo saberemos. Sem demora.
[assina] The Saker

ATUALIZAÇÃO 1: RT noticia que Rússia e EUA estão ambos encaminhando projetos de Resoluções ao Conselho de Segurança da ONU. Os dois projetos de Resoluções exigem investigação internacional; a OPCW anunciou a decisão de enviar uma missão à Síria, para levantar dados. RT também diz que, segundo um jornal russo, está marcada para a próxima semana uma reunião de alto nível Rússia-EUA sobre a Síria. Talvez (quem sabe? Apenas talvez...) a insanidade pode ainda ser contida?*****


http://blogdoalok.blogspot.com.br/2018/04/the-saker-opcoes-dos-anglo-sionistas.html#more

quinta-feira, 12 de abril de 2018

O Império Americano do Ocidente em crise. A Arte da Guerra

 
A guerra dos impostos alfandegários dos EUA contra a China e as novas sanções contra a Rússia, são sinais de uma tendência que vai mais além dos acontecimentos atuais. Para compreender qual é, devemos recuar trinta anos.
Em 1991, os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria e da primeira guerra após a Guerra Fria, declararam ser “o único Estado com uma força, um prestígio e uma influência verdadeiramente global, em qualquer esfera –  seja ela  política, econômica e militar” -”e que, no mundo “não existe nenhum substituto para a liderança americana”.
Confiando na hegemonia do dólar, no alcance global das suas multinacionais e dos seus grupos financeiros, sob controlo de organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC/WTO), os Estados Unidos promovem o “comércio livre” e a “livre circulação de capitais” à escala global, reduzindo ou eliminando impostos e regulamentações. As outras potências ocidentais movem-se no seu encalço.
A Federação Russa, em profunda crise após a desagregação da URSS, é considerada por Washington como um território fácil de conquistar, para ser desmembrada para melhor controlar seus grandes recursos. A China, que se abre à economia de mercado, também parece estar apta a ser conquistada com capital e produtos dos EUA e explorada como um grande reservatório de mão-de-obra barata. Trinta anos depois, o “sonho americano””do domínio incontestado do mundo, desvaneceu-se. A Rússia, organizou uma frente interna de defesa da soberania nacional, superou a crise recuperando o estatuto de grande potência. A China, a “fábrica do mundo” na qual produzem, também, as multinacionais dos EUA, tornou-se o maior exportador de mercadorias do mundo e faz, cada vez mais, investimentos no estrangeiro. Hoje desafia a supremacia tecnológica dos Estados Unidos.
O projeto de uma nova Rota da Seda – uma rede rodoviária, ferroviária e marítima entre a China e a Europa, através de 60 países – coloca a China na vanguarda do processo de globalização, enquanto os Estados Unidos se encerram, erguendo barreiras econômicas. Washington olha com crescente preocupação, a parceria econômica e política entre a Rússia e a China, que desafia a própria hegemonia do dólar.
Não conseguindo opor-se a este processo, apenas com expedientes econômicos, os Estados Unidos usam os militares. O golpe na Ucrânia e a consequente escalada nuclear na Europa, a mudança de estratégia na Ásia, as guerras no Afeganistão e na Síria, fazem parte do plano pelo qual os EUA e as outras potências ocidentais tentam manter o domínio unipolar num mundo que se está a tornar multipolar. No entanto, esta técnica está a sofrer uma série de imprevistos  como num jogo de xadrez.
A Rússia e a China, submetidas à crescente pressão militar, reagiram fortalecendo a cooperação estratégica. A Rússia não só foi só encostada às cordas, mas, com um movimento de surpresa, interveio militarmente a apoiar o Estado sírio que, nos planos dos EUA/NATO, deveria ter terminado juntamente com o líbio. No Afeganistão, os EUA e a NATO estão atolados numa guerra que dura há mais de 17 anos.
Como reação a esses fracassos, intensifica-se a campanha para fazer a Rússia parecer um inimigo perigoso, usando também o argumento de falsa bandeira dos ataques químicos na Inglaterra e na Síria. A mesma técnica foi usada em 2003, quando, para justificar a guerra contra o Iraque, o Secretário de Estado, Colin Powell apresentou à ONU, a “evidência” de que o Iraque possuía armas de destruição em massa.
O mesmo Powell, em 2016, teve de admitir a inexistência de tais armas. No entanto, durante 15 anos, a guerra causou mais de um milhão de mortes.
Manlio Dinucci
Artigo em italiano :
Il manifesto, 10 de Abril de 2018
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
https://www.globalresearch.ca/o-imperio-americano-do-ocidente-em-crise/5635607

Ativismo Social Financiado pelo Capitalismo Global Serve a Ordem Neoliberal Mundial . O Fórum Social Mundial 2018 (FSM) em Salvador, Brasil


 Global Research, April 02, 2018
 
No Fórum Social Mundial de Salvador, na Bahia, milhares de pessoas foram às ruas “em nome da democracia”: o movimento feminista, Vidas Negras Importam, Ambientalistas, Organização de Povos Originários, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Organizações da Juventude, LGBT entre outros.
No âmbito do 13º Fórum Social Mundial, eles marcharam sob o lema:
“Resistir é criar, Resistir é transformar”
Minha pergunta:
RESISTIR A QUEM?
Os líderes e organizações do Fórum Social Mundial (FSM) de Salvador, na Bahia, encontram-se diante de uma negação persistente. Certamente nesta altura já deveriam reconhecer que o encontro no FSM – incluindo despesas de viagem – é financiado pelos mesmos interesses corporativos que são o objeto de “RESISTÊNCIA” política e social generalizada e de dissensões.
Como isso é conveniente. As corporações estão a financiar dissidentes tendo em vista o controle desses mesmos dissidentes e os organizadores do FSM são cúmplices.
“O movimento antiglobalização opõe-se à Wall Street e às gigantes petrolíferas do Texas controladas por Rockefeller e outros. Contudo, as fundações e instituições filantrópicas de Ford, Rockefeller etc generosamente financiarão redes progressistas anti-capitalistas bem como ambientalistas (opositores da Wall Street e do Big Oil), etc. tendo em vista, em última análise, supervisionar e moldar suas diversas atividades.” (M. C, 2016)
Dizem que o FSM transformou movimentos progressistas, levando ao que é descrito como a emergência da “Esquerda Mundial”. Absurdo. Movimentos progressistas reais foram estilhaçados, em grande medida em resultado do financiamento da dissidência.
O que é esta Esquerda Mundial, será ela um movimento com raízes de base?
Ela em grande medida é composta por “intelectuais de esquerda” e “organizadores”. Eles dizem que estão a combater o neoliberalismo.
Mas o seu FSM é, em grande medida, “financiado pelo neoliberalismo”.
As pessoas que participaram do FSM não sabiam que o dito “RESISTIR” AO CAPITALISMO GLOBAL é financiado pelo “CAPITALISMO GLOBAL”.
Elas foram enganadas pelos organizadores do FSM.
Por outras palavras, apesar de o logo do FSM – Resistir para Transformar – ser significativo, na prática é também redundante.
Reparações coloniais foram abordadas na reunião do FSM de 2018 em Salvador, no Brasil.
O tema das reparações no FSM de 2018 em Salvador da Bahia foi tratado no workshop Reparações ao Colonialismo, na Assembleia Mundial de Resistência dos Povos, Movimentos e Territórios, e na Ágora dos Futuros. Nestas atividades, participaram algumas centenas de pessoas, muitas das quais representativas de outras organizações. Neles foi abordada a situação quanto às reparações nos últimos anos, tentando identificar ações mais promissoras para o futuro.
A quem deveriam ser dirigidos estes pedidos de reparação colonial?
Às corporações e os governos ocidentais (antigas potências coloniais) que generosamente financiaram tanto o encontro do FSM como as ONG participantes estão habitualmente envolvidos num processo de destruição social neocolonial e de pilhagem de recursos, para não mencionar a guerra.
Quando o FSM foi realizado em Mumbai, em 2004, a comissão hospedeira indiana corajosamente confrontou os organizadores do FSM e recusou o apoio da Fundação Ford (a qual é ligada à CIA). Isto, só por si, não modificou o relacionamento do FSM com as corporações doadoras. Apesar de a Fundação Ford se ter retirado formalmente, outras fundações posicionaram-se ao lado do ministro do Desenvolvimento Estrangeiro de Tony Blair.
Tornar o mundo seguro para o capitalismo
Nesse aspecto, a Fundação Ford reconhece francamente seu papel no “financiamento da resistência e dos dissidentes”:
“Tudo que a Fundação [Ford] fez poderia ser considerado “tornar o mundo seguro para o capitalismo”, reduzindo tensões sociais através da ajuda para confortar os aflitos, proporcionando válvulas de segurança aos irados e melhorando o funcionamento governamental (McGeorge Bundy, Conselheiro de Segurança Nacional dos Presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson (1961-1966), Presidente da Fundação Ford (1966-1979).
O movimento anti-guerra esteve notoriamente ausente no FSM de Salvador em 2018.
Sob a bandeira “Contra a militarização e as guerras”, este FSM de Salvador publicou uma declaração inócua:
Na condição de parlamentares e representantes das forças progressistas internacionalistas, estamos preocupados com o imenso desperdício de recursos na recente onda de militarização global e com os crescentes orçamentos militares de muitos países de todo o mundo. Leia o texto completo, aqui .
SIM, GUERRAS SÃO CARAS. Apesar de “o desperdício de recursos” ser importante, por que não mencionar os nomes “dos países” que ameaçam a paz mundial (i.e. EUA, estados-membros da NATO, Israel, Arábia Saudita), sem deixar de mencionar os milhões de pessoas que têm sido mortas como resultado das guerras lideradas pelos EUA-OTAN?
Na narrativa acima NÃO HÁ “RESISTÊNCIA” alguma. O texto evita cuidadosamente mencionar os nomes dos países (EUA, NATO), que são os líderes destas guerras imperiais de conquista econômica e destruição social.
Não é preciso dizer que as vítimas dessas guerras (i.e. Iraque, Síria, Iémen etc), assim como os interesses corporativos por trás das mesmas, não são identificados.
RESISTIR não se aplica às guerras lideradas pelos EUA na Síria, Iraque, Ucrânia, Iêmen. Na verdade, parece que o tema das guerras lideradas pelos EUA-OTAN não é objeto de debate e discussão nos workshops do FSM .
Mosaico de workshops na FSM
Os mecanismos da “dissensão manufaturada” exigem um ambiente manipulador, um processo de pressão e cooptação sutil de um pequeno número de indivíduos chave dentro de “organizações progressistas”. Muitos líderes dessas organizações têm, em certo sentido, traído suas bases.
O que prevalece é um mosaico de workshops . Os ativistas sociais que participam do FSM têm sido enganados. Estes workshops não ameaçam a ordem imperialista mundial. Eles constituem [apenas] um ritual de discordância e resistência.
O mosaico das diferentes oficinas do FSM, a ausência relativa de sessões plenárias, a criação de divisões dentro e entre os movimentos sociais, sem mencionar no final das contas a ausência de uma plataforma coesa e unificada, servem os interesses das elites corporativas da Wall Street que estão generosamente a financiar o encontro da FSM.
A agenda corporativa não declarada é “fabricar dissidência”. “Os limites desta dissidência” são estabelecidos pelas fundações e governos que financiam esse encontro multimilionário do FSM.
O mosaico de workshops é imposto por aqueles que financiam o FSM. O formato dos workshops não constitui uma ameaça ao capitalismo global. Muito pelo contrário.
O financiamento do FSM
Esta seção é baseada sobretudo num artigo anterior publicado em 2016 , referente ao 12º FSM realizado em Montreal naquele ano. No entanto, os acordos do financiamento referentes ao FSM de Salvador, Bahia, são amplamente semelhantes, dependentes das mesmas entidades doadoras.
O FSM é apoiado por um consórcio de fundações corporativas sob a supervisão de um leque de Doadores comprometidos com a igualdade global (Engaged Donors for Global Equity, EDGE). Para mais pormenores, ver Michel Chossudovsky 2016 .
Esta organização, anteriormente conhecida como Rede de financiadores sobre comércio e globalização(The Funders Network on Trade and Globalization, FTNG), tem desempenhado um papel central no financiamento de sucessivos eventos do FSM. Desde o início, em 2001, possuía status de observador no Conselho Internacional do FSM.
Em 2013, o representante dos Irmãos Rockefeller (Rockefeller Brothers Fund). Tom Kruse, co-presidiu o comité de programa da EDGE.
Kruse era responsável no Rockefeller Brothers Fund pela “Governação Global” através do programa “Prática Democrática”. As doações dos Rockefeller para ONGs são aprovadas pelo programa “Fortalecendo a democracia na governação global” (Strengthening Democracy in Global Governance), muito semelhante àquele apresentado pelo Departamento de Estado dos EUA.
Um representante da Open Society Initiative for Europe actualmente (2016) faz parte do Conselho de Administração da EDGE. O Wallace Global Fund também consta em seu Conselho de Administração. O Wallace Global Fund é especializado no fornecimento de apoio a ONGs “correntes” e “media alternativos”, incluindo a Amnistia Internacional, Democracy Now! (que apoia a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos EUA). Michel Chossudovsky, 2016 .
Num dos seus documentos chave (2012), intitulado Financiadores da aliança em rede para apoio à organização de base e à construção de movimento ( Funders Network Alliance In Support of Grassroots Organizing and Movement Building a EDGE reconhecia seu apoio a movimentos sociais que desafiavam o “fundamentalismo neoliberal de mercado”, incluindo o Fórum Social Mundial fundado em 2001:
“Desde a revolta zapatista em Chiapas (1994) à Batalha de Seattle (1999) e à criação do Fórum Social Mundial em Porto Alegre (2001), os anos TINA (There Is No Alternative , “Não há alternativa”) de Reagan e Thatcher foram substituídos pela crescente convicção de que “um outro mundo é possível”. Contra-conferências, campanhas globais e fóruns sociais têm sido espaços cruciais para articular lutas locais, compartilhar experiências e análises, desenvolver conhecimento especializado e construir formas concretas de solidariedade internacional entre movimentos progressistas por justiça social, econômica e ecológica”.
Mas, ao mesmo tempo, há uma contradição óbvia nisso tudo: outro mundo não é possível quando a campanha contra o neoliberalismo é financiada por uma aliança de doadores corporativos firmemente comprometidos com o neoliberalismo e com a agenda militar dos EUA-OTAN.
Os limites da dissidência social são assim determinados pela “estrutura de governação” do FSM, a qual no início de 2001era tacitamente acordada com as agências de financiamento.
“Não há líderes”
O FSM não tem líderes. Todos os eventos são “auto-organizados”. A estrutura do debate e do activismo é parte de um “espaço aberto” (ver Francine Mestrum, The World Social Forum and its governance: a multi-headed monster , CADTM, 27 de abril 2013).
Esta estrutura compartimentada é um obstáculo para o desenvolvimento de um movimento de massa articulado e significativo.
Que forma melhor do que essa para controlar a dissensão popular contra o capitalismo global?
Garantir que seus líderes possam ser facilmente cooptados e que as bases não desenvolvam “formas de solidariedade internacional entre movimentos progressistas” (para usar as próprias palavras do EDGE), o que pode minar de modo significativo os interesses do capital corporativo.
O mosaico de workshops dispersos do FSM, a relativa ausência de sessões plenárias, a criação de divisões dentro e entre movimentos sociais, sem mencionar a ausência de uma plataforma coesa e unificada contra as elites corporativas da Wall Street, contra a falsa “Guerra ao terrorismo mundial” patrocinada pelos EUA, que tem sido utilizada para justificar as “intervenções humanitárias” dos EUA-NATO (Afeganistão, Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, Ucrânia, etc).
O que acaba por prevalecer é um ritual de dissensão que não ameaça a Nova Ordem Mundial. Os que comparecem ao FSM vindos das suas bases são muitas vezes enganados pelos seus líderes. Ativistas que não compartilhem o consenso do FSM acabarão por ser excluídos:
“Ao providenciar financiamento e estrutura política para muita gente preocupada e dedicada que trabalha no setor sem fins lucrativos, a classe dominante consegue cooptar a liderança das comunidades de base, … e é capaz efetuar o financiamento, contabilização e avaliação do trabalho tão consumidor de tempo e oneroso que nestas condições o trabalho de justiça social torna-se virtualmente impossível” (Paul Kivel, You Call this Democracy, Who Benefits, Who Pays and Who Really Decides, 2004, p. 122)
No entanto, “outro mundo é possível” é um conceito importante pois caracteriza a luta dos movimentos populares contra o capitalismo global, bem como o compromisso dos milhares de ativistas comprometidos que agora participando do FSM de Montreal, 2016.
O ativismo está sendo manipulado: “Outro mundo é possível” não pode ser alcançado sob os auspícios do FSM que, desde o início, foi financiado pelo capitalismo global e organizado em estreita ligação com seus doadores corporativos e governamentais.
O Conselho de Administração da Edge (The Edge Board of Directors) inclui representantes de grandes fundações e instituições de caridade corporativas, incluindo a Fundação Charles Leopold Mayer (Charles Leopold Mayer foundation), a Fundação Ford (Ford Foundation), o Serviço Mundial Judaico-Americano (American Jewish World Service), a Fundação da Sociedade Aberta (Open Society Foundation), entre outros. Ver abaixo:
 
Artigo original en inglês :
Traduzido por Edu Montesanti para Global Research. Revisão por o site Resistir